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Produção e exportações de proteínas animais devem crescer em 2026 e 2027, projeta ABPA

28/07/2026

Os setores de carnes suína, de frango e de ovos devem registrar crescimento na produção, no consumo interno e nas exportações ao longo de 2026, com perspectivas positivas também para 2027. As projeções foram apresentadas nesta terça-feira (28) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), durante coletiva de imprensa.

Apesar do cenário favorável, a entidade alerta para desafios que podem afetar o mercado, como os conflitos geopolíticos e o aumento do endividamento das famílias brasileiras, impulsionado, entre outros fatores, pelos gastos com apostas esportivas on-line.

O Rio Grande do Sul segue entre os principais polos nacionais da cadeia de proteína animal, destacando-se tanto na produção quanto nas exportações de carne suína, carne de frango e ovos.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a expectativa é de um desempenho positivo, sustentado por um câmbio favorável às exportações, custos equilibrados de produção, graças aos preços da soja e do milho, e boas perspectivas para as safras de grãos.

Outro diferencial apontado é o elevado nível de biosseguridade da produção brasileira, especialmente na avicultura, em um momento em que importantes concorrentes enfrentam problemas sanitários e climáticos.

Carne suína

A produção de carne suína deve alcançar 5,87 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 5% em relação ao ano anterior. Para 2027, a previsão é de 6,05 milhões de toneladas, alta de 3,1%.

As exportações também devem avançar, chegando a 1,6 milhão de toneladas neste ano, aumento de 5,9%, e a 1,7 milhão de toneladas em 2027, crescimento de 6,3%.

A ABPA destaca que o Brasil fortaleceu sua posição no mercado internacional, impulsionado pela diversificação dos destinos de exportação. Filipinas, Japão e China figuram entre os principais compradores da proteína brasileira.

Carne de frango

Para a avicultura, a expectativa é de produção de 16,15 milhões de toneladas em 2026, volume 5,6% superior ao registrado anteriormente. Em 2027, a projeção sobe para 16,6 milhões de toneladas, avanço de 2,8%.

As exportações podem atingir 5,875 milhões de toneladas neste ano, crescimento de 10,5%, chegando a 6,05 milhões de toneladas em 2027.

A entidade ressaltou que o Brasil mantém um dos mais elevados padrões de biosseguridade do mundo. Desde maio do ano passado, não foram registrados casos de influenza aviária em granjas comerciais, enquanto diversos países enfrentam surtos da doença.

Mesmo diante das novas exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos, a expectativa do setor é atender às normas e manter o acesso ao mercado europeu.

Produção de ovos

A produção de ovos também deverá crescer. A estimativa é de 64,8 bilhões de unidades em 2026, aumento de 4,1%, chegando a 66,5 bilhões em 2027, alta de 2,6%.

Nas exportações, entretanto, a previsão é de retração em 2026, para 30 mil toneladas, reflexo principalmente das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Para 2027, a expectativa é de recuperação, com embarques de 34,5 mil toneladas, crescimento de 15%.

Enquanto isso, o consumo interno continua em expansão. A projeção é que cada brasileiro consuma, em média, 301 ovos por ano em 2026, número superior aos 288 registrados em 2025. Para 2027, a estimativa sobe para 312 unidades por habitante, refletindo o fortalecimento do alimento na dieta da população.

Mercado interno

Mesmo com o aumento das exportações, a ABPA afirma que o abastecimento do mercado brasileiro permanece garantido. Segundo a entidade, o bom desempenho das vendas externas contribui para reduzir custos de produção, favorecendo a competitividade e ajudando a manter preços mais acessíveis ao consumidor.

Ainda assim, a associação acompanha com preocupação o elevado endividamento das famílias, que pode limitar o consumo. A expectativa é que programas de renegociação de dívidas e a melhora do cenário econômico contribuam para um mercado interno mais aquecido em 2027.

Fonte: CORREIO DO POVO
REDAÇÃO - AGROLINCE