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CHUVAS CAUSAM PERDAS DE 143 MIL TONELADAS E AFETAM 30 MIL PROPRIEDADES NO RIO GRANDE DO SUL

10/08/2026

As chuvas excessivas, os ventos fortes e o granizo registrados na segunda quinzena de julho provocaram perdas expressivas na agropecuária do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento da Emater/RS-Ascar, os eventos climáticos atingiram 30.007 propriedades rurais em 101 municípios e resultaram em 143.363 toneladas de perdas nos principais grupos produtivos.

Entre as culturas mais afetadas estão o tabaco, com aproximadamente 40 mil toneladas perdidas, o trigo, com 19,6 mil toneladas, e a canola, com 7,8 mil toneladas.

Os danos também atingiram a infraestrutura rural. Cerca de 18 mil quilômetros de estradas vicinais foram afetados, dificultando o transporte da produção e o acesso das famílias a serviços essenciais.

Além disso, 173 fontes de água foram contaminadas, deixando mais de 1,2 mil famílias desabastecidas. A capacidade de armazenamento também sofreu impactos, com danos registrados em 207 armazéns e silos.

HORTALIÇAS E FRUTAS TAMBÉM SOFRERAM

Na olericultura, que reúne hortaliças, legumes e verduras, os tubérculos e raízes concentraram os maiores prejuízos, com aproximadamente 38 mil toneladas de perdas.

Na fruticultura, os citros foram os mais atingidos, totalizando 6.890 toneladas de perdas. A laranja respondeu por cerca de 5.725 toneladas e a bergamota por mais de 1.160 toneladas. Ao todo, 493 produtores do setor foram afetados.

A piscicultura também registrou prejuízos. Enxurradas e o excesso de chuvas provocaram a perda de 17,4 toneladas de peixes, atingindo diretamente 39 produtores.

PRODUÇÃO DE LEITE É PREJUDICADA

A pecuária leiteira foi fortemente impactada principalmente pelos problemas de logística. Com milhares de quilômetros de estradas rurais danificados, o acesso às propriedades e aos resfriadores de leite ficou comprometido.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, cerca de 192,8 mil litros de leite deixaram de ser coletados por dia durante o período mais crítico. Ao todo, foram aproximadamente 2,38 milhões de litros que não chegaram a ser comercializados, afetando 1.788 produtores.

A falta de energia elétrica em algumas propriedades também dificultou a conservação do leite, agravando as perdas.

PASTAGENS TAMBÉM FORAM AFETADAS

O excesso de umidade prejudicou o desenvolvimento das pastagens nativas e cultivadas. Mais de 100 mil hectares foram atingidos, com perdas médias de produtividade estimadas em aproximadamente 26%.

A redução da oferta de pastagem pode aumentar os custos de produção nos próximos meses, já que os produtores poderão precisar ampliar a utilização de suplementação alimentar para manter os rebanhos.

Também foram registradas perdas em culturas de cereais de inverno destinadas à produção de silagem e pré-secado.

PREJUÍZOS ULTRAPASSAM 143 MIL TONELADAS

Segundo o levantamento da Emater/RS-Ascar, as perdas ficaram distribuídas da seguinte forma:

Grãos, incluindo cevada, milho, trigo, canola e aveia: 34.791,86 toneladas.

Olericultura, incluindo folhosas, tubérculos, raízes, bulbos, condimentos e outras hortaliças: 61.544,15 toneladas.

Fruticultura, incluindo citros, pêssego, morango e banana: 6.966,92 toneladas.

Tabaco: 40.060,28 toneladas.

Total: 143.363,21 toneladas.

Além das perdas na produção, também foram registrados prejuízos com a morte de 43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos.

RECUPERAÇÃO SERÁ UM DOS PRINCIPAIS DESAFIOS

Para a Emater/RS-Ascar, depois da fase emergencial, o foco deve estar na avaliação dos prejuízos e na recuperação das propriedades atingidas.

A reconstrução das condições de vida das famílias rurais e a recuperação da capacidade produtiva serão fundamentais para que os produtores possam retomar suas atividades e recuperar a autonomia econômica.

Os números mostram que os eventos climáticos de julho não provocaram apenas perdas nas lavouras, mas afetaram toda a estrutura necessária para o funcionamento da agropecuária gaúcha.

Fonte: Correio do Povo / Emater-RS/Ascar.
Foto : Emater / Divulgação
Redação: Agro LINCE.