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FEIJÃO: VEJA ONDE OS PREÇOS CAÍRAM E SUBIRAM EM AGOSTO

14/08/2026

O mercado brasileiro de feijão começou agosto com comportamentos diferentes entre os principais tipos comercializados no país. Enquanto o avanço da terceira safra aumentou a oferta de feijão carioca e pressionou os preços, a menor disponibilidade de feijão preto na entressafra contribuiu para a valorização do produto.

Segundo dados do Cepea, entre 30 de julho e 6 de agosto, o feijão carioca peneira 12, de nota 9 ou superior, apresentou queda média de 9,55% nas nove praças acompanhadas.

A maior retração ocorreu no Centro-Noroeste de Goiás, com queda de 11,20%. No Sul e Sudoeste de Minas Gerais, os preços recuaram 6,58%.

FEIJÃO CARIOCA SEGUE SOB PRESSÃO

A maior oferta de feijão carioca de boa qualidade, principalmente com o avanço da colheita da terceira safra em áreas irrigadas do Cerrado, tem pressionado as cotações.

Os feijões cariocas de notas 8 e 8,5 também registraram queda. Entre 30 de julho e 6 de agosto, a redução média foi de 7,43% nas seis regiões acompanhadas pelo Cepea.

A maior oferta e a preferência dos compradores pelos grãos de qualidade superior contribuíram para reduzir a procura pelos lotes de notas inferiores.

Com a redução das margens, alguns produtores passaram a avaliar a possibilidade de armazenar a produção e esperar melhores condições de mercado. No entanto, a necessidade de recursos financeiros ainda mantém parte da oferta disponível.

FEIJÃO PRETO TEM COMPORTAMENTO DIFERENTE

Enquanto o carioca perdeu valor, o feijão preto tipo 1 apresentou alta média de 1,37% no mesmo período.

No Oeste de Santa Catarina, a valorização chegou a 4,28%, influenciada pela menor disposição dos produtores em comercializar.

Em Itapeva (SP), porém, os preços recuaram 1% devido à existência de estoques nas agroindústrias, reduzindo a necessidade de novas compras.

A oferta doméstica mais limitada durante a entressafra continua dando sustentação ao feijão preto, enquanto as importações ajudam a complementar o abastecimento nacional.

EXPORTAÇÕES BATEM RECORDE

O comércio exterior também chamou atenção em julho. As exportações brasileiras de feijão alcançaram 106,82 mil toneladas, o maior volume mensal desde o início da série histórica, em 1997.

A Índia foi responsável por 81,8% dos embarques, enquanto os feijões do grupo Vigna representaram 93,1% do volume exportado.

Apesar do recorde, o impacto sobre o mercado brasileiro de feijão carioca e preto é limitado, já que grande parte das exportações corresponde a variedades destinadas principalmente ao mercado asiático.

ARGENTINA AJUDA A ABASTECER O BRASIL

As importações brasileiras somaram 6,23 mil toneladas de feijão em julho. Desse volume, 70,4% corresponderam ao feijão preto.

A Argentina teve participação praticamente total nas compras externas, respondendo por 99,8% das importações brasileiras no mês.

Com isso, o país vizinho continua sendo fundamental para complementar a oferta de feijão preto durante a entressafra.

No curto prazo, a tendência é de manutenção da pressão sobre o feijão carioca, devido ao avanço da terceira safra, enquanto o feijão preto deve permanecer mais firme diante da oferta doméstica restrita e da necessidade de abastecimento por meio das importações.

Fonte: AgroLink / Cepea.
Redação: Agro LINCE.